domingo, 26 de junho de 2016

As armas norte americanas sendo descarregadas na tela dos cinemas



Luigi Chiozzotto

Quase entramos em pânico dentro de uma locadora quando percebemos quanto tempo de história com armas e violência de todo tipo ajudamos a promover no decurso desses 30 anos. Além do que mais de 90% seguramente foram de filmes norte americanos, cujo conteúdo continha pólvora encapsulada, não quero com isso acusar esse país por tal conteúdo, já que Hollywood produziu diversos gêneros e muitos cineastas americanos são verdadeiramente geniais. Estamos diante de um marketing americano agressivo, que deixa pouco espaço para outras culturas nos cinemas, depois reclamamos de estarmos sendo manipulados pelos EUA para levar adiante golpes de estado, fomos construindo-lhes o caminho em resenhas, artigos e críticas desde então. Não há espaço que não esteja ocupado nas prateleiras do mundo pelo cinema norte americano, bom ou mal a humanidade já tem uma enorme quantidade de neurônios de sua psique ocupado pela invasão norte americana, consumá-la de fato em um novo golpe no Brasil foi apenas um passo. Do outro lado do oceano a Itália é um dos únicos países da Europa que não fez uma revolução, todavia com o cinema político dos anos 70 realiza a maior delas, tão forte como uma revolução de rua, pois no decurso do tempo é possível revivê-la através de seus filmes, mas eles não estão nas locadoras. Aos brasileiros essa experiência serve de referência pois estamos sempre vivendo o crepúsculo desses tempos. Há alguns dias fui ao Shopping levar meu filho para mostrar-lhe o que é um filme italiano, mostrar-lhe a diversidade de línguas no cinema, francesa, espanhola, russa etc, que esses filmes existem de verdade, embora não passem no cinema, na TV à cabo e não tenha nas locadoras para alugar. Ele aos 5 anos de idade já questiona o idioma dos filmes que consegue assistir (inglês). Quando cheguei à Livraria Saraiva fui ao setor de dvd's e blu-ray, queria mostrar-lhe que existe também filmes que não são americanos no mundo, que existe os europeus por exemplo, afinal desde pequeno falo em italiano com ele e algumas vezes ele me assiste dando aulas de italiano para alguns alunos criança que frequentam meus cursos. Depois de 5 minutos procurando entre os mais de 5 mil títulos finalmente encontramos dois filmes europeus, um dvd em italiano, ótimo por sinal, de Federico Fellini - 8 e mezzo (1963), e um francês em blu-ray - Jules e Jim - Uma Mulher para Dois (1962), de François Truffaut, também ótimo. Fiquei muito chateado em confronto com meu filho que sempre ouviu eu falar de cinema italiano com ele, chamei um vendedor e perguntei se havia outros títulos europeus ali na loja e ele me respondeu que não pois nunca pedem outros filmes que não americanos. Fomos embora e assistimos em casa uma cópia que tenho de "Divorzio à italiana" de Pietro Germi, com Stefania Sandrelli e Marcello Mastroianni e rimos bastante dessa genial e genuína comédia à italiana. 


E-mail chiozzottoit@gmail.com

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