
Luigi Chiozzotto
Quase entramos em pânico dentro de uma locadora quando percebemos quanto tempo de história com
armas e violência de todo tipo ajudamos a promover no decurso desses 30 anos.
Além do que mais de 90% seguramente foram de filmes norte americanos, cujo conteúdo
continha pólvora encapsulada, não quero com isso acusar esse país por tal conteúdo, já que Hollywood produziu diversos gêneros e muitos cineastas americanos são verdadeiramente geniais. Estamos diante de um marketing americano agressivo, que deixa pouco espaço para outras culturas nos cinemas, depois reclamamos de estarmos sendo manipulados
pelos EUA para levar adiante golpes de estado, fomos construindo-lhes o caminho em resenhas,
artigos e críticas desde então. Não há espaço que não esteja ocupado nas
prateleiras do mundo pelo cinema norte americano, bom ou mal a humanidade já tem uma
enorme quantidade de neurônios de sua psique ocupado pela invasão norte americana,
consumá-la de fato em um novo golpe no Brasil foi apenas um passo. Do outro lado do oceano a Itália é um dos únicos países da Europa que não fez uma revolução,
todavia com o cinema político dos anos 70 realiza a maior delas, tão forte como
uma revolução de rua, pois no decurso do tempo é possível revivê-la através de
seus filmes, mas eles não estão nas locadoras. Aos brasileiros essa experiência
serve de referência pois estamos sempre vivendo o crepúsculo desses tempos. Há alguns dias fui ao Shopping levar meu filho para
mostrar-lhe o que é um filme italiano, mostrar-lhe a diversidade de línguas no cinema, francesa, espanhola, russa etc, que esses filmes existem de verdade, embora não
passem no cinema, na TV à cabo e não tenha nas locadoras para alugar. Ele aos 5
anos de idade já questiona o idioma dos filmes que consegue assistir (inglês).
Quando cheguei à Livraria Saraiva fui ao setor de dvd's e blu-ray, queria
mostrar-lhe que existe também filmes que não são americanos no mundo,
que existe os europeus por exemplo, afinal desde pequeno falo em italiano com
ele e algumas vezes ele me assiste dando aulas de italiano para alguns alunos
criança que frequentam meus cursos. Depois de 5 minutos procurando entre os
mais de 5 mil títulos finalmente encontramos dois filmes europeus, um dvd em
italiano, ótimo por sinal, de Federico Fellini - 8 e mezzo (1963), e um francês
em blu-ray - Jules e Jim - Uma Mulher para Dois (1962), de François Truffaut,
também ótimo. Fiquei
muito chateado em confronto com meu filho que sempre ouviu eu falar de cinema
italiano com ele, chamei um vendedor e perguntei se havia outros títulos
europeus ali na loja e ele me respondeu que não pois nunca pedem outros filmes que não americanos. Fomos embora e assistimos em casa uma
cópia que tenho de "Divorzio à italiana" de Pietro Germi, com
Stefania Sandrelli e Marcello Mastroianni e rimos bastante dessa genial e
genuína comédia à italiana.
E-mail chiozzottoit@gmail.com
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