Sergio Leone e Claudia Cardinale em C'era una volta il West
O cinema
italiano no seu auge, anos 1960/1970, alcançou públicos nos países mais
distantes porque aproveita a criatividade de seus argumentistas, roteiristas e
diretores cinematográficos em filmes de gênero, dos quais o mais famoso foi o Spaghetti western. Duccio Tessari e os
três Sergios, Sergio Leone, Sergio Sollinas e Sergio Corbucci foram os grandes
diretores a levar às telas de cinema de todo o mundo filmes ambientados no
velho oeste americano feitos no deserto de Almeria. Nessa década eram os temas
inspirados na conquista do espaço que faziam sucesso, pois os americanos queriam
provar superioridade contra a U.R.S.S que muito avançada em tecnologia espacial
já havia colocado um homem no espaço ao redor da terra com sucesso. Nesse
contexto o western era coisa do passado, talvez por serem aqueles feitos pelos americanos sisudos demais, pouco
inventivos, sobretudo, por não refletirem mais a realidade, nem dos anos que retratavam,
tão pouco por não conseguir aderir à realidade do tempo em que eram feitos. As
roupas desgastadas e empoeiradas dos cowboys nos almoxarifados das grandes produtoras
de Hollywood ocupavam espaço e eles não tinham mais ideia do que fazer com
elas. Foi Sergio Leone, um apaixonado pelo gênero que o fez florecer na Itália,
reconstruiu cenários do velho oeste com perfeição em Cinecittà em Roma e aproveitou
da similaridade dos desertos de Almeria na Espanha com aquele ambiente do velho oeste. Para
realizar Per un pugno di dollari -
Por Um Punhado de Dólares (1964) seu primeiro filme da trilogia do dólar, Leone
alugou aqueles velhos e surrados uniformes dos cowboys que vestiram muito bem
os seus psicologicamente complicados personagens em busca de uma identidade que os inserissem na sociedade. Ao contrário daqueles americanos
que contavam histórias das conquistas sangrentas de norte-americanos contra os Apaches, naturais do território, os filmes italianos refletiam a identidade dos sujeitos
dos anos 60’. Leone ambienta suas histórias no clima político italiano e
sob a atmosfera da revolução de 68’, que entre outras coisas colocava a questão
da emancipação da mulher no centro das reivindicações e movimentos de rua, como
ele fez em C'era una volta il West -
Era uma Vez no Oeste (1968), ao colocar pela primeira vez como protagonista de
uma história do western Claudia Cardinale. Os heróis do Spaghetti western não lutavam com índios, não se concentravam em
forte apaches, nem sempre eram americanos que em busca de povoar o velho oeste
iam contra as leis de civilidade. Os heróis do Spaghetti western mantinham-se na fronteira com o México onde o
conflito com os sub proletários mexicanos se dava em função da necessidade que
eles tinham de roubar aquilo que o Estado mexicano não lhes proporcionava e
pior, lhes roubava através de um poder constituído por corruptos ditadores. Como
uma vez disse Thomas Milian interprete de muitos heróis peões da tortilla movie: “Muitos westerns de terceiro mundo fizeram
bastante caixa porque, enquanto o herói era sempre americano, o homem do
terceiro mundo podia ser em certo sentido também o proletário” (Thomas Milian)
(UVA & PICCHI, 2006, p 35) Trad. Autor. Dessa
maneira o Spaghetti western foi uma
arena onde o cinema pode abordar temas políticos sociais hodiernos na Itália e
de países sul americanos sob o domínio de ditaduras militares inspiradas pelos
ares belicosos oriundos do Pentágono e da guerra fria. Os cowboys dos Sergios eram franceses, alemães, italianos, e às vezes americanos,
refletiam os imigrantes europeus que ao chegarem à America tinham que lutar
pelo seu espaço. Os conflitos e batalhas no Spaghetti western não eram entre exércitos
americanos atacando com desequilíbrio de forças um bando de índios que com flechas
defendiam seu território, eles se davam em pequenos confrontos, ao estilo guerra
de trincheiras e contra os mexicanos. Os
mexicanos nos filmes de Spaghetti western
eram representados como indivíduos alienados, capitães do mato que manipulados
por patrões gananciosos e ditadores sacrificavam seus iguais ampliando a
injustiça, a desigualdade social e a concentração de renda em favor dos mais
ricos da sociedade mexicana, perpetuando a manutenção de políticos corruptos no
poder. Vamos relembrar um pouco dos grandes filmes italianos esquecidos, a partir da cinegrafia de criativos cineastas italianos, entre 1964 e 1975, auge do Spaghetti
western, alguns diretores italianos que mais exploraram o tema foram: Bruno
Corbucci; Giulio Petroni; Roberto Mauri; Gianfranco Parolini; Sergio Bergonzelli;
Camillo Bazzoni; Enzo Barboni; Luigi Bazzini; Ferdinando Baldi; Ernesto Gataldi
entre outros.
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