Luiz Chiozzotto
O filme tem um tempo de sobrevivência mais longo que
a vontade das pessoas que falam dele e da lembrança daquelas que fazem Cinema.
Por isso nunca foi tão importante fazer filmes como é hoje, até por uma questão
de sobrevivência de nossa sociedade. O filme que fazemos rudimentarmente mostra
como nós vivemos o nosso tempo; diferente daquele filme que entra nas salas de
cinema, que ao contrário, falseia a realidade em detrimento a um target
especifico, ou a um interesse de uma determinada casta. Fazer filmes sem pensar
em mostrá-lo naquele sistema inventado no séc. XIX, mas imaginá-lo sendo visto
no celular, no iPod, na tela do computador, no aparelho de TV, DVD, Blue Ray,
Data Show; ou projetado nas nuvens. O que importa é ter uma boa ideia, ainda o
maior diferencial entre os filmes que valem a pena ser feitos.
A Itália é uma fonte de boas ideias, um dos únicos países da Europa que não
fez uma revolução, todavia com o cinema político dos anos 70 realiza a maior
delas. Tão forte como uma revolução de rua, pois no decurso do tempo é possível
revivê-la através de seus filmes, que à época foram feitos por cineastas
intelectualizados e que encontraram no Estado e na iniciativa privada fontes
para fazê-lo. Se hoje os filmes tornaram-se banais é em função do público blasé
que deve referenciar, construído pela TV, cujos ideais se confundem com a
propaganda de um automóvel zero quilometro, símbolo de status, e que dá a efêmera
e falsa sensação de pertencer às elites quando se está dirigindo-o pelas
estradas. Aos brasileiros esses filmes
italianos servem de referência, pois nesse momento estamos vivendo momentos
semelhantes, onde o povo foi traído por um golpe de Estado permitindo a
instalação de um governo que não ouve as massa populares, que não as
representa, porque não foi eleito por ela, e está lá em decorrência de um
conluio com a elite e a mídia e a omissão da justiça.
Nossas políticas públicas não provêm da demandas desses governados. Nossos governantes partem do principio que os governados são desinteressados e mal informados sobre políticas públicas, e coadunam com as elites, essas sim os agentes que além de forjarem a opinião pública, manipulam, se comunicando com ela sempre de cima para baixo.
Nossas políticas públicas não provêm da demandas desses governados. Nossos governantes partem do principio que os governados são desinteressados e mal informados sobre políticas públicas, e coadunam com as elites, essas sim os agentes que além de forjarem a opinião pública, manipulam, se comunicando com ela sempre de cima para baixo.
Os administradores e oficiais cumprem as decisões
de quem está no poder, oriundas de demandas que partem das elites e não das
massas, o que seria o correto em sociedades civilizadas. Dessa maneira não
provendo das massas populares tais demandas, são os valores das elites que
definem as políticas públicas, e elas têm a tendência de deixar tudo como está.
Assim o sistema político todo depende do consenso e do interesse dessas elites,
ficando as instituições democráticas nesse modelo de governo emanado das
elites, apenas na esfera do simbolismo. As eleições e os partidos têm apenas
valor simbólico oferecendo aos governados a sensação de estar exercendo a
democracia, seja ao votarem, seja ao escolherem o partido político e os
candidatos com os quais mais se apeguem. E como perceber isso quando a
grande mídia, detentora dos meios de emissão da informação está envolvida no
golpe e não levam a verdade aos televisores, jornais, revistas, rádios etc,
senão pelo viés das vontades das elites? O cinema, este antigo e fiel aliado das massas tem
ainda essa chama da liberdade iluminando, por ser de vanguarda,
visionário e, sobretudo, anti-conformista.
E-mail chiozzottoit@gmail.com
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